No passado dia 12 de Julho cerca de 60 activistas desfilaram a pé, cerca de três quilómetros (vestindo fatos brancos que os protegiam da contaminação transgénica) ao som dos Ritmos de Resistência, segurando faixas e cartazes, num percurso que foi desde a praia fluvial de Monforte e a porta da herdade Torre de Figueiras (onde decorrem actualmente ensaios em espaço aberto com variedades transgénicas não autorizadas para cultivo na Europa).
A mensagem da acção era apresentar uma brigada de bio-segurança constituída por 50 espantalhos de forma a proteger os campos cultivados dos ensaios de transgénicos, isto porque o Governo Português já não cumpre com as suas funções de proteger a populações dos impactos do cultivo de transgénicos. De forma simbólica os espantalhos foram colocados em volta da herdade Torre da Figueira em Monforte, afugentando-se os (ensaios de) transgénicos daquela Zona de Protecção Especial e declarada Zona Livre de Transgénicos. Ao mesmo tempo que se colocavam espantalhos pela estrada, os activistas bloqueavam simbolicamente a entrada da herdade com faixas, colmeias, cortiços e gritavam palavras de ordem como “o Montado vai ficar contaminado”, “não, não, não, à contaminação”, “não à agricultura do cifrão” “não à patente na semente”, “o milho doente não agrada a esta gente”. Ao “bloqueio” dos activistas junto ao portão da herdade, juntaram-se apicultores que mostraram não querer transgénicos naquela região devido aos problemas relacionados com a contaminação transgénica do mel que produzem.
O dono da herdade alvo dos protestos (com aproximadamente 2000ha) também apareceu na acção, para discutir sobre os seus cultivos transgénicos e os seus campos de ensaio. Toda a lógica de produção deste senhor baseia-se em obter lucro a curto prazo e argumenta em relação aos transgénicos da mesma forma que as empresas que os produzem.
Os activistas durante a acção exigiam o cancelamento da autorização para os ensaios com milho geneticamente modificado não apenas para a herdade em Monforte mas também para os ensaios aprovados no concelho de Ferreira do Alentejo.
O contexto da realização desta acção surge da aprovação do Ministério do Ambiente para a realização durante três anos de ensaios de milho geneticamente modificado para o conselho de Monforte. A aprovação destes ensaios em Monforte torna-se mais ilógica e imoral quando os campos estão situados num concelho Zona Livre de transgénicos e numa zona de Rede Natura 2000. [1]
A PTF organizou uma jornada de três dias (dia 11,12 (dia de acção central) e 13 de Julho) de acção com o objectivo de mobilizar a população de Monforte a tomar uma posição em relação aos campos de ensaios transgénicos.
Para preparar esta Jornada membros da Plataforma Transgénicos Fora deslocaram-se para Monforte, Évora e Portalegre uns dias antes, com o objectivo de esclarecer a população sobre o problema em causa. O esclarecimento consistiu fundamentalmente em visitar os espaços públicos e comerciais de Monforte como cafés, esquinas, praças, estabelecimentos comerciais distribuindo panfletos, colando cartazes e falando nestes locais sobre:
- os impactos do cultivo dos transgénicos;
-os problemas relacionados com a aprovação destes testes experimentais de transgénicos em Monforte;
- soluções e alternativas ao cultivo de transgénicos;
- a jornada contra os campos de ensaio de cultivo transgénico que se preparavam para os dias seguintes.
Durante este contacto directo com a população local os activistas aperceberam-se de algumas ideias presentes no seio da população determinavam a sua posição quanto à aprovação dos ensaios de transgénicos em Monforte.
A falta dos locais na manifestação pode ser analisada segundo factores como: existir elevada taxa de desemprego e o dono da herdade ser um dos maiores empregadores da zona (o maior a seguir à Câmara Municipal de Monforte); a população estar envelhecida e sem interesse em contestações ligadas à agricultura; os campos de cultivo estão cada vez mais abandonados e ninguém quer arriscar-se a perder o que ainda há, por o cultivo ser ou não transgénico; quase nula a informação sobre o que são transgénicos e os impactos associados; os ambientalistas são considerados como contra o progresso e contra a resolução de problemas como “a fome no Mundo”; a falta de tempo para reivindicações (vida precária); acreditar que os transgénicos são mais produtivos que os alimentos convencionais Vs o Alentejo ser uma região que necessita de produtividade; quem não quer transgénicos nunca trabalhou na agricultura e não sabe o “custa a vida”.
No entanto, muitas foram as pessoas receptivas à informação (a maior parte). Verificando-se que existia curiosidade entre os locais em relação ao tema e vontade de saber mais!
Ao mesmo tempo que se mobilizava a população para tomar uma posição em relação aos campos de ensaios transgénicos (antes do início da jornada), organizava-se a logística de forma a criar as condições para juntar todos os que quisessem participar na acção dia 12 de Julho. Os objectivos principais deste acampamento (que acabou num acantonamento, por intervenção da GNR) foram: aproximar as pessoas nestes dias para a realização de futuras acções no âmbito do desenvolvimento de uma agricultura-ecológica e claro preparar material para a acção de dia 12.
A jornada contra os testes de milho transgénico decorreu de forma muito dinâmica!
No primeiro dia da jornada, sexta-feira: preparar materiais para acção, construir e vestir espantalhos, pintar faixas, preparar acampamento...
No segundo dia pela manhã: reunião com todos os activistas que dormiram no campo e com os que iam chegando à Praia de Fluvial de forma a ultimar os pormenores finais, os coros estavam afinados, a brigada de segurança preparada$ para resolver os problemas relacionados com os testes experimentais de transgénicos, os espantalhos também estavam prontos para afugentar o milho transgénico naquela área, assim como, as colmeias e cortiços com mel contaminado determinados, a dizerem que não queriam abelhas a transportar pólen transgénico. O grupo saiu então do Parque fluvial em direcção à herdade Torre das Figueiras.
No final da acção os participantes almoçaram no Parque Fluvial de Monforte.
À tarde houve uma avaliação do que tinha decorrido nesse dia.
No domingo: foi dia de arrumar tudo e passear um pouco por Monforte, contactar com as pessoas da vila e dizer “até breve”. É de salientar que no final da jornada, os activistas eram abordados de forma calorosa por Monforte e foi visível que a maior parte das pessoas sabia o que está a acontecer na sua terra.
Por fim informámos que decorrerá um debate dia 25 de Julho em Monforte sobre os transgénicos e aprovação dos testes experimentais em Monforte.
Esta jornada foi seguida por um contingente policial fortíssimo, onde aparentemente 4 jipes da GNR estavam sempre a rondar o parque fluvial de Monforte. O documentado pelos mass-media foi que todas as entradas da herdade Torre da Figueira estavam vigiadas, e inclusivé, o campo de ensaios transgénicos estava a ser protegido com cavalos o tempo inteiro. A vigilância foi forte e repressora. A cobertura mediática foi grande mas pouco incisiva sobre o que realmente interessa, ou seja, o desrespeito pela Biodiversidade, o Principio da Precaução, o Direito de Escolha, a Soberania Alimentar, as Sementes Livres, etc (…).
Ver
www.stopogm.net
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