O Governo e seus lobbies investem no betão das auto-estradas financiadas pela União Europeia sem respeitarem as directivas europeias sobre a protecção de ambiente e das espécies, nem terem em conta o património cultural, natural e histórico nem tão-pouco os interesses das populações atingidas.
De facto, o Governo português transpõe as directivas europeias para o direito nacional mas não o aplica. Aposta na falta de iniciativa do povo e nos vícios de forma e na nebulosidade para não cumprir as directivas e assim levar a efeito projectos irracionais.
A população da cidade da Branca, do conselho de Albergaria-a-Velha, cansada perante o mutismo do Governo, das desculpas de mau pagador dos ministérios e dos paliativos políticos, vê-se na necessidade de dar passos mais decisivos para levar a efeito a defesa dos seus direitos contra a construção da A32.
A A32 vem servir São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Albergaria-a-Velha e Águeda, apesar de, junto a estas cidades, já passarem duas auto-estradas no sentido Porto-Lisboa. De início, com o governo PSD, só tinha sido projectado o troço até S. João da Madeira e de S.João da Madeira até à A29 em Ovar, como resposta a uma política de alargamento da área metropolitana do Porto (Cfr. Decreto-Lei n.º 210/2003, de 15 de Setembro). O Governo PS, que parece só conhecer Lisboa, quer fazer daquela iniciativa regional, uma terceira auto-estrada no sentido Norte-Sul até Lisboa. O povo da Branca bem se ergue nos bicos dos pés para dizer que o Norte também existe e deve ser contemplado nos seus interesses. É uma luta de David contra a megalomania centralizadora do Golias Governo. Para se tornar eficiente terá de usar a fisga tribunal, doutro modo, eles comem tudo e no deixam nada…
O traçado a nascente (PDM) constitui um abuso de poder e além do mais passaria por um espaço de reserva ecológica nacional. Comporta a construção dum viaduto de 995 metros, com pilares de 35 metros de altura, com pendente constante de 6%, passando pelo meio de casas. O traçado destruiria, na encosta do monte de S. Julião, 35 minas e pontos de água. O património histórico seria destruído, e a imagem paisagística da Branca seria irremediavelmente destruída além da poluição de águas, poluição sonora e atmosférica. O impacto ambiental seria irreparável. A fauna e flora da área (falcões, esquilos, javalis, etc.) seriam abatidas.
O Prof. Doutor Humberto Flávio Xavier, professor de direito público e advogado, esteve numa cessão de esclarecimento da “AURANCA” (Associação do Ambiente e Património da Branca) para ouvir e dar esclarecimentos sobre estratégias a seguir em defesa dos direitos em causa.
Para que a acção popular tenha resultados positivos será preciso intentar várias medidas na fase pré-contenciosa para depois se passar à fase contenciosa. Será necessário alertar a Greenpeace internacional e as autoridades competentes da Comissão Europeia chamando a atenção para o incumprimento do direito ambiental e para a transgressão de direitos humanos. A União Europeia não poderá disponibilizar verbas a serem aplicadas em projectos que transgridem o direito europeu. Além disso há uma directiva europeia que impede empreendimentos que destruam a imagem da zona, que destruam zonas paisagísticas expressivas e específicas dos locais.
Como ultima ratio e paralelamente será necessário colocar a questão, primeiramente, em tribunais nacionais. Para isso proprietários de terrenos por onde passaria a auto-estrada e cidadãos prejudicados com a passagem do traçado pelo local e terceiros deverão juntar-se para mover uma acção colectiva em tribunal. Foi proposto que a “Auranca” assumisse o papel de fazer o levantamento das pessoas implicadas no processo e dispostas a custear as despesas de tribunal. Assim se manteriam baixos os custos duma acção de grupo que nomearia os representantes para o representar nas questões processuais jurídicas.
Acabadas as férias urge meter mãos à obra. Doutro modo os políticos continuarão o jogo das escondidas com a EP (Estradas de Portugal) e a não levar a sério os cidadãos e seus representantes directos: Junta da Freguesia e Câmara Municipal votaram contra o traçado a nascente.
Além do mais, há matéria para ocupar o tribunal europeu em Bruxelas, não sendo de desprezar também uma acção por desrespeito dos direitos humanos.
É de considerar que, neste projecto público como noutros, o Governo só parece interessado em gastar dinheiros sem ter também em conta as despesas de manutenção que hipotecarão o futuro dos mais jovens.
António da Cunha Duarte Justo
antoniocunhajusto [at] googlemail [dot] com
Associação Auranca
http://eliana-abranca.blogspot.com/
HINO DA VILA DA BRANCA
A BRANCA É UMA LINDA TERRA
POR TODA A PARTE BELEZA E SERRA
PAISAGEM LINDA E BOA GENTE
QUE SEMPRE VIVE ALEGREMENTE
DE TUDO O QUE HÁ NESTE RECANTO
TÃO BONITINHO QUE É UM ENCANTO
NÓS TEMOS OS NOSSOS CORAÇÕES
CHEIOS DE GRATAS RECORDAÇÕES
A BRANCA É TERRA BEM FORMOSA
MUITO ALEGRE, MUITO AIROSA
ONDE SE VIVE SEMPRE A CANTAR
DE OLHAR PERDIDO NO NOSSO MAR
DE TUDO O QUE HÁ NESTE RECANTO
TÃO BONITINHO QUE É UM ENCANTO
NÓS TEMOS OS NOSSOS CORAÇÕES
CHEIOS DE GRATAS RECORDAÇÕES
A vila da BRANCA está em luta!
Estamos aqui em representação da esmagadora maioria da população da Vila da Branca, e dos 4.247 cidadãos que validaram os fundamentos da nossa reivindicação. Propomo-nos entregar junto do Governo Civil de Aveiro, cópia de Abaixo-Assinado e da Contestação Técnica ao Despacho da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) sobre o traçado a adoptar na Auto-estrada A32/IC2, nomeadamente o que está previsto para a freguesia da Branca, pois consideramos que:
É um traçado com impactes irreversíveis para a paissagem da BRANCA, destruindo-a para sempre.
Tem custos sociais altamente negativos para as populações, nomeadamente para as dos lugares de Fradelos e de Casaldima.
Destrói a estação arqueológica do Monte S. Julião com grande valor histórico.
Corta a meio a zona industrial de Albergaria-a-Velha, uma das mais importantes da região de Aveiro, criando um efeito tampão ao seu crescimento para Norte.
Destrói os recursos hídricos da encosta central da BRANCA que é a base de apoio de regadio à agricultura da zona baixa da BRANCA.
Torna a zona baixa central da BRANCA, comletamente vulnerável ao risco de contaminação por eventual acidente naa via, de derrame de produtos tóxicos e perigosos.
É a solução economicamente mais dispendiosa em termos de custos de investimento, sem nenhum ganho ambiental de contrapartida, antes pelo contrário.
Por isso propõem-se:
A bem da qualidade de vida da população da BRANCA, da salvaguarda do seu património paisagístico, histórico e arqueológico, que o Estudo de Impacte Ambiental seja realizado e alterado, optando pelo traçado base (solução 1) a poente do IC2.
Que após a adopção da solução base (solução 1) sejam minorados os seus impactes negativos, com vista à salvaguarda das populações que pontualmente são atingidas com a implantação da auto-estrada A32.
AURANCA
Comentários
intihar
Thank you very much for this information.
Good post thanks for sharing.
I like this site ;)
-----------
indir indir
oyunlar oyunlar
indir soft indir
sinemalar sinema
intihar
-----------
The scrapbooks are the most
The scrapbooks are the most beautiful I have ever seen . They are very parsimonious and realistic .Just like replica handbags Though I don't know much aboout scrapbooks , but I find reading them is an intreasting replica bags thing .
Uma questão de prioridades
Caro Sapka, e será que investir esse dinheiro em ferrovias, escolas e outros serviços locais não é mais útil do que criar vias de comunicação que contribuem para a centralização do país e que só podem ser usufruídas por uma parte da população que dispõe de automóvel (e que tem dinheiro para pagar o cada vez mais caro combustível)?
Esta nova auto-estrada A32
Esta nova auto-estrada A32 (que não é mais do que a antiga Estrada Nacional 1, agora com quatro faixas) vem beneficiar imenso as localidades do interior abrangidas, vem poupar anualmente o consumo de milhões de litros de gasolina e vem evitar a emissão de toneladas de CO2 para a atmosfera. O sectarismo do PSD, PCP, verdes, BE e PP (a chamada "coligação negativa") é que não deixa ver as coisas pelo prisma verdadeiro. Seja quem for que estiver no governo, mais tarde ou mais cedo vai ter de fazer este melhoramentos que as populações agradecem e exigem.
Ambientalismo sem fanatismo nem sectarismo, será possível?
Mais auto-estradas para quê?
Porquê optar por um traçado alternativo em vez de simplesmente parar com a contínua construção de auto-estradas?
Onde está a política de protecção do nosso clima quando continuamos estes investimentos do século passado?
Basta de auto-estradas, usem os dinheiros públicos no melhoramento da nossa rede ferroviária convencional!