"Debaixo das torres eólicas, os animais ainda pastam, debaixo das barragens, não." É o argumento levado ao limite, quase slogan político, do presidente da Câmara de Cabeceiras de Basto, Joaquim Barreto, que lidera a campanha dos três municípios de Basto (Mondim, Celorico e Cabeceiras), que reclamam 2,5 por cento da facturação bruta da futura barragem do Fridão, a construir pela EDP.
Ao contrário do passado, as barragens do Sabor e do Tua, igualmente concessionadas à EDP, já destinam três por cento da sua receita líquida para iniciativas de mitigação do seu impacto, a nível local e regional. No caso do Sabor, é através de um fundo de desenvolvimento e ambiente. Quanto ao Tua, o modelo do respectivo fundo ainda não está fechado, embora o objectivo deva ser semelhante.
Comentários
Delapidação do território
A atitude destes (e de todos) autarcas é completamente antropocêntrica e economicista, achando que através de um pequeno emolumento todas as objecções de ordem ecológica ou ética se transpõem.
Claro que eles têm de ser pragmáticos, tem populações e territórios para gerir. Mas esse pragmatismo trouxe-nos até à situação actual de desastre ambiental, desertificação e despovoamento do interior. Será que se vai continuar com as mesmas atitudes e comportamentos na esperança de um dia o resultado ser diferente?
As barragens são feitas e mais um pedaço de biodiversidade é perdido, tudo por 30 moedas. Não emendes a mão não, Judas!
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