Foi já alcançado o pico em emissões de dióxido de carbono

Esse máximo mundial foi alcançado devido à crise económica. As emissões estão agora (finalmente?) a descer. O que pode tornar-se uma oportunidade histórica única. Em maio de 2008 anunciou-se que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera tinha chegado a um recorde de 387 ppm de acordo com as medições no observatório de Mauna Loa, no Havaí. Isso significava um aumento de 30 por cento acima do nível de 300 ppm que Svante Arrhenius utilizou no seu artigo de 1895, quando mostrou que queimar carvão iria aumentar a concentração de dióxido de carbono na atmosfera e provocaria o aumento das temperaturas. Entre 1970 e 2000, a concentração tinha aumentado 1,5 ppm por ano; de 2001 a 2007 o aumento da concentração atingiu 2,1 ppm. No início de 2008, o mundo continuava a encaminhar-se a toda a velocidade para que, em cerca de 30 anos, se viessem a atingir 450 ppm. O grande aumento dos preços do petróleo e de outras matérias primas até julho de 2008, e a crise económica na segunda metade de 2008 e em 2009, parou o crescimento económico e alterou a tendência das emissões de dóxido de carbono. Do ponto de vista das alterações climáticas, a crise económica não pode deixar de ser bem-vinda.

 

A concentração de dióxido de carbono na atmosfera irá ainda aumentar, embora não tão rapidamente. As emissões são ainda muito mais elevadas do que a capacidade de absorção dos oceanos, dos solos e da nova vegetação. O IPPC argumenta nos seus relatórios que as emissões deveriam descer em 60 por cento (e não os mesquinhos 2 ou 3 por cento que provavelmente se verificarão em 2009, que se esperaria que assinalassem uma alteração permanente da tendência). O objetivo de 60 por cento de redução está longe da atual realidade, e também dos compromissos de Quioto e dos prováveis compromissos pós-Quioto. Seja como for, a recomendação do IPCC está hoje mais perto da implementação do que estava anteriormente.