O PIB mundial irá decrescer em 1 ou 2 por cento em 2009, enquanto que o decréscimo económico nos Estados Unidos, na União Europeia e no Japão será superior a esse valor. Entre agosto de 2008 e março de 2009, o consumo de gasolina nos Estados Unidos decresceu no mínimo 10 por cento. As emissões desses países mais a Rússia irão decrescer no mínimo em 5 por cento. O que é de facto elevado quando comparado com os objetivos que foram admitidos politicamente até agora.
No entanto, devido a uma questão de censura mental, nem o IPCC nem o relatório de Lord Stern postularam um cenário de ligeiro decrescimento económico da economia mundial seguido de um período de não crescimento na União Europeia e nos Estados Unidos. Esse seria o cenário que converteria o pico de emissões de dióxido de carbono de 2007 num acontecimento histórico único. As economias da América do Sul, que no período neoliberal se «reprimarizaram» e se tornaram (de novo) economias exportadoras de matérias primas nas quantidades mais elevadas de sempre, irão agora pagar por isso um preço económico. O seu crescimento está a parar devido à crise económica e aos termos de troca comercial em declínio.
O aumento de emissões de dióxido de carbono da China e da Índia será previsivelmente mais ou menos idêntico ao crescimento na Índia (de cerca de 5 por cento), e um pouco inferior ao crescimento económico na China. As emissões per capita da Índia estão muito abaixo da média mundial (a Índia tem mais de 15 por cento da população mundial e cerca de 4 por cento das emissões). As emissões per capita da China estão muito mais próximas da média mundial. No total do país, a China é já o maior emissor, um pouco mais do que os Estados Unidos. O aumento de emissões na Índia, China, Indonésia e mais alguns países cujas economias estão a crescer em 2009 não compensará o decrescimento nos Estados Unidos, União Europeia, outros países europeus e Japão. Há uma possibilidade de que 2007 não tenha sido um pico isolado, mas pelo contrário um pico histórico, um acontecimento único.
Como é que esses acontecimentos irão ser recebidos na conferência sobre alterações climáticas de Copenhaga em dezembro de 2009? Serão os efeitos positivos da crise reconhecidos? Irá um ligeiro decréscimo económico e uma transição socioecológica rumo a um estado estacionário nas economias ricas ser aceite como cenário plausível e benéfico? Irão os países exportadores de matérias primas mudar de registo e pedir para exportarem menos e a preços mais elevados, introduzindo taxas sobre o esgotamento do capital natural, e taxas que compensem as externalidades negativas locais? Irá a conferência de Copenhaga mostrar-se favorável à ideia, que por um momento foi considerada pela OPEC em 2007, de introduzir a taxa Daly-Correa (http://www.amazonwatch.org/newsroom/view_news.php?id=1606)
: um ecoimposto à saída dos poços de petróleo e não à saída das chaminés e tubos de escape) sobre as exportações de petróleo para ajudar a financiar a transição económica mundial? Ou, pelo contrário, irão as emissões de carbono recuperar e aumentar de novo juntamente com a recuperação económica?