1. Se a Lei das Sementes for aprovada, que implicações terá?
Ainda não foi apresentada proposta definitiva para esta Lei, mas ao observar o plano de acção da Comissão e as Directivas Europeias recentes sobre produção e comercialização de sementes ditas “de conservação” (variedades tradicionais, regionais), prenunciam, nomeadamente, as seguintes implicações:
2. Quem fica mais prejudicado se a nova Lei das Sementes for aprovada?
3. Existe alguma relação dos transgénicos com esta ofensiva contra as sementes tradicionais?
A indústria dos transgénicos é uma das partes mais interessadas nas alterações previstas para a legislação europeia sobre a produção e comercialização de sementes.
As mesmas empresas que detêm as patentes sobre as sementes transgénicas começaram há cerca de dez anos a comprar as empresas de sementes convencionais. Neste momento, apenas dez empresas, gigantes da agro-química e da biotecnologia na alimentação e agricultura, controlam metade do mercado de sementes convencionais comerciais.
Confrontadas com a larga rejeição dos OGM (organismos geneticamente modificados) tal como os queriam impor, estas empresas viram nas sementes convencionais uma nova oportunidade de negócio, e estão a aplicar o mesmo modelo: tentam patentear um melhoramento pontual numa planta e ficam com o monopólio da comercialização dos alimentos feitos a partir dessas plantas. A Monsanto está prestes a conseguir uma patente sobre o tomate; se o conseguir, terá as portas abertas para patentear grande parte da cadeia alimentar.
4. O que ganha a indústria das sementes com a nova lei?
A indústria de sementes, como anteriormente mencionado, é em grande parte a mesma indústria dos transgénicos e tem tido ampla oportunidade para incluir as suas exigências na revisão de tratados internacionais e da legislação europeia em matéria de produção e comercialização de sementes. A serem satisfeitas as suas exigências mais recentes conseguirá:
5. Que iniciativas estão previstas para depois das Jornadas?
6. Que propósito serviram as Jornadas Internacionais de Acção pelas Sementes Livres?
As Jornadas Internacionais de Acção marcaram um dos pontos altos da Campanha Europeia pelas Sementes Livres que denuncia a revisão em curso da legislação europeia em matéria de produção e comercialização de sementes. Esta revisão vai favorecer a crescente privatização das sementes de cultivo por uma dúzia de multinacionais, com graves consequências para horticultores e agricultores pequenos e para a segurança e autonomia alimentares, não só na Europa como em todo o mundo.
Membros da Via Campesina celebraram o dia 17 de Abril - o dia internacional da resistência rural - em mais de 20 países no mundo.
Membros da Campanha Europeia pelas Sementes Livres concentraram-se em Bruxelas para um dia de celebração das sementes livres (17 de Abril) e um dia de protesto contra a nova legislação a ser proposta (18 de Abril).
Em Portugal, a representação da Campanha, dinamizada aqui pela Campo Aberto, GAIA, MPI, Plataforma Transgénicos Fora e Quercus a apoiada por cerca de 30 associações, redes cívicas e produtores agrícolas, assinalaram as Jornadas com actividades nos dias 16, 17 e 18 de Abril. Ver relato.
7. Quem está por detrás da Campanha Europeia pelas Sementes Livres?
A Campanha Europeia pelas Sementes Livres foi iniciada por 5 organizações alemãs e desde então já conta com mais de 50 membros europeus. Em Portugal a Campanha é dinamizada pela Campo Aberto, GAIA, MPI, Plataforma Transgénicos Fora e Quercus a apoiada por várias dezenas de associações, redes cívicas e produtores agrícolas.
8. Quais os objectivos da Campanha Europeia pelas Sementes Livres?
A Campanha pelas Sementes Livres visa conquistar, defender e promover o direito à criação própria de sementes com vista à promoção e protecção da diversidade de espécies agrícolas e hortícolas regionais, os interesses dos pequenos agricultores e criadores e dos agricultores ecológicos e ainda para garantir a segurança e soberania alimentares de todos os povos. Defende uma agricultura ecológica de base camponesa e de baixa intensidade onde não têm lugar a manipulação genética nem as patentes sobre plantas e animais.
A Campanha definiu os seguintes objectivos-chapéu para a sua actuação:
Ver os pedidos da Campanha pelas Sementes Livres
9. Porquê uma SeedSavers Tour?
Michel e Jude Fanton são uma inspiração para milhares de hortelões e defensores da nossa herança alimentar comum, o seu trabalho na “Seed Savers' Network” tem sido essencial para contrariar a globalização das sementes e as patentes sobre as plantas, que constituem uma ameaça ao nosso património genético comum e à segurança alimentar.
Numa altura em que a União Europeia se prepara para facilitar o registo de patentes sobre as plantas, a soberania alimentar constitui a resposta da sociedade civil ao novo contexto de controlo privado sobre a segurança alimentar. Por todo o mundo, os agricultores estão a perder o seu papel de curadores das sementes e outros recursos naturais, à medida que as corporações consolidam o seu controlo através das patentes, da biopirataria e da engenharia genética.
Esta tour acontece num momento em que se assiste a uma forte contestação social na Europa, com os cidadãos a reclamar o direito e o poder de controlar as suas próprias vidas, nomeadamente no que respeita à alimentação. Os Seed Savers constituem um exemplo para dezenas de milhares de pessoas por toda a Europa que trabalham activamente para que o direito de produzir sementes permaneça nas mãos dos agricultores e horticultores.
Devido à sua longa experiência, os SeedSavers têm muito para ensinar ao recente movimento europeu pela soberania alimentar. Esta tour será uma oportunidade única para partilhar ferramentas para fortelecer o movimento tanto a nível colectivo como individual, tais como técnicas de produção sustentável, recolha e preservação de sementes e estabelecimento de redes de trocas.