Douro apontado como preferido de Monteiro de Barros para o nuclear

 

nuclear nãoPatrick Monteiro de Barros, o empresário que propôs a construção de uma

central nuclear em Portugal, continua a não abrir o véu sobre a localização
preferencial apontada pelos estudos que detém. Mas não falta quem suspeite,
alegadamente a partir das suas palavras, que a localização preferencial é,
supostamente, no rio Douro e, concretamente, na zona do Alto Douro ou do
Parque Natural do Douro Internacional. É o caso de Aníbal Fernandes, da
Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN) e um dos maiores
opositores ao projecto de Monteiro de Barros.
Ontem, num aceso debate sobre energias renováveis realizado pela
universidade transmontana, em Vila Real, que juntou defensores e opositores
do nuclear, o empresário adiantou que os seus estudos apontam para "uma
dezena de localizações" e remeteu para o Estado a responsabilidade da
polémica decisão.
"Só espero que não se corra a insensatez de anunciar que uma central nuclear
destas vai para o rio Douro, porque [nesta situação] a filoxera [doença que
atacou as vinhas do Douro] teria sido uma brincadeira de crianças", afirmou
Aníbal Fernandes. Susana Fonseca, vice-presidente da associação
ambientalista Quercus, sustentou que "nem o rio Douro, nem nenhum dos rios
portugueses, tem caudal suficiente para alimentar uma central nuclear e
garantir um caudal de segurança".
Confrontado pelos jornalistas, Patrick voltou a ser difuso. "O Douro pode
ser uma possibilidade, mas há várias no Centro e Norte do país. Em cima dos
rios ou em cima do mar...", afirmou.
Durante o debate Monteiro de Barros foi frontalmente convidado a dizer qual
a localização preferencial para a instalação de uma central nuclear, mas a
sua resposta também foi evasiva. "Não há nenhum local priveligiado. Será
responsabilidade do Estado verificá-los e auferi-los", respondeu reafirmando
que o sistema de arrefecimento de condensadores previsto no projecto que
lidera utiliza água, pelo que a localização desta central teria que ser
junto a um rio ou ao mar - a primeira solução é alegadamente a preferida.
Segundo Monteiro de Barros, em Portugal só existem três rios capazes de
fornecer água em quantidade suficiente para este projecto: Tejo, Guadiana e
Douro. Ontem, o empresário admitiu ainda que os "estudos feitos recomendam
que a instalação da central seja numa região do país onde o risco sísmico é
menor".

Eficiência energética
O empresário voltou a causar agitação ao sustentar a tese de que o nuclear é
uma "solução inevitável para Portugal", sobretudo depois da assinatura do
Protocolo de Quioto, negociado pelo Governo de António Guterres, em que este
foi o país da União Europeia que ficou com a quota mais baixa em matéria de
emissões de gases com efeito de estufa (CO2) per capita.
Para os opositores do nuclear, estes argumentos constituem uma "falácia",
como sublinhou Aníbal Fernandes. Desde logo, porque o Protocolo de Quioto
termina em 2012. "Mesmo que se construa a central em cinco anos, o que nunca
aconteceu em nenhum local do mundo, significará zero como contributo para
Quioto", frisou.
Na opinião deste engenheiro, a probabilidade de risco de acidente nuclear
grave "é impossível de quantificar, mas não pode ser ignorado". Acresce,
continuou Susana Fonseca, vice-presidente da Quercus, que 50 anos após o
início de laboração das centrais ainda não existe solução para os resíduos
de elevada radioactividade aí produzidos.
Os opositores do nuclear defenderam que a dependência do petróleo não
diminui com a construção de centrais nucleares, mas antes com a eficiência
energética. "Mais de metade do potencial energético está na utilização
racional da energia", sustentou Aníbal Fernandes. De opinião de que as
energias renováveis "são importantes mas não resolvem o problema", este
responsável da APREN admitiu que a política definida por Portugal em 2001, é
"eficiente", falta no entanto "pôr a roda a andar".

Celeste Pereira

Fonte: Publico, 3 de Maio de 2006 

Comentários

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Nuclear Não!!!

O Nuclear seria a destruição completa do Douro.
No passado já sofremos uma pequena experiência da abertura de uma exploração de minério (urânio) junto à Barragem de Bagauste.
A experiencia foi tão má que se viram obrigados a fechar.

Toda a atmosfera em volta ficou carbonizada. A agricultura, as oliveiras, as vinhas não produziam.
Não creio que o governo vá tão longe.
A solução não passa po ai. No futuro próximo, essa tendência ao materialismo como solução para crises, deixará de fazer sentido.