"A revolta é onde a leviandade e o rigor se encontram: uma conversa sobre alegria, auto-organização das lutas e insurreição. A ideia é agirmos, mas com outros. Deixando de esperar pelos outros para o fazermos e, deixando de o fazer como se os outros não importassem. Esta tentará ser uma conversa de clarificação, de conceitos, de ideias, de experiências.
O modo como a sociedade se organiza e produz os seus próprios meios para viver tem o seu ponto de partida nos recursos naturais (solo, água, mineriais, etc).
A transformação da natureza em mercadoria e a acumulação de riqueza está totalmente relacionada com a uma forma de organização social específica actual: o sistema capitalista.
Após anos de luta da sociedade civil, a Chevron-Texaco é finalmente forçada a compensar o Equador pela dívida ecológica causada no país, conforme noticia a Euronews (http://pt.euronews.net/2012/01/04/chevron-condenada-a-pagar-indemnizacao...)

Durante os últimos 3 anos a Coal Action Scotland lutou contra a maior empresa de extracção de minérios a céu aberto no Reino Unido, para tentar impedir a expansão na extracção de carvão, numa região já muito afectada por esta prática. Usando uma variedade de tácticas incluindo acção directa (em forma de ocupações, bloqueios e sabotagem), o trabalho em comunidades afectadas pelas minas e solidariedade internacional com lutas semelhantes às nossas, atacaram-se as companhias e políticos responsaveis.
http://economico.sapo.pt/noticias/edp-suspende-construcao-da-barragem-do...
Ana Maria Gonçalves
18/11/11 00:05
O projecto, orçado em 360 milhões de euros, vai ser reanalisado do ponto de vista técnico.
A EDP vai suspender, por três anos, a construção da barragem do Alvito, uma central avaliada em 360 milhões de euros e que foi adquirida ao abrigo do Plano Nacional de Barragens, lançado pelo Governo de José Sócrates.
A QUERCUS, GAIA, COAGRET, AAVRT, Campo Aberto e Geota saúdam o protesto, decorrido no passado dia 6 de Novembro, alertando para os custos encapotados e avultados da construção das novas barragens, pois estas vão custar aos portugueses um valor equivalente ao actual défice de Portugal. As condições de concessão das novas grandes barragens vão criar novos custos para os consumidores e contribuintes, que vamos ter que pagar durante os 65 a 75 anos de concessão, na factura de electricidade ou através dos impostos.
É estimado que o encargo total das novas barragens para os cidadãos atinja os 16 mil milhões de euros durante a vida da concessão, ou seja 4900 Euros / família. Equivalente ao deficit actual (ver aqui).
Um estudo recentemente publicado revela que o cultivo de soja no Brasil para a produção de biodiesel resulta numa perda de eficiência energética (medida enquanto energia por hora de trabalho vs produtividade laboral) e em provável aumento de gases com efeito de estufa, em particular devido às necessidades de terra e consequentes alterações do uso do solo (em particular, desflorestação).
O estudo assenta numa análise integrada multi-escala do metabolismo social (MuSIASEM) e está disponível em http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0921800911002333
Apesar de focalizado num caso específico, é bastante provável que os resultados sejam largamente extrapoláveis para outros cultivos energéticos, pelo menos os de primeira geração.
Dia 18 de Junho pelas 17h na Av. Liberdade, Lisboa, em frente à embaixada do Canadá:
STOP THE TAR SANDS
As “tar sands” ou areias petrolíferas, são uma mistura de argila, areias, metais pesados e alcatrão, em forma de petróleo, chamado betume. Os maiores e mais desenvolvidos depósitos do mundo destas areias petrolíferas, estão localizados sob as maravilhosas florestas boreais em Alberta, no Canadá. As “tar sands” de Alberta são a segunda maior reserva de petróleo do mundo (perdendo só para a Arábia Saudita), fazendo do Canadá o fornecedor estrangeiro de petróleo número um da América.
A produção das “tar sands” requer enormes quantidades de energia e água, sendo um processo que polui o ar e os cursos de água das áreas envolventes, ameaçando a vida selvagem e as comunidades da região, violando os direitos dos povos indígenas do Canadá e lançando para a atmosfera quantidades de dióxido de carbono impensáveis!
A propósito da notícia de hoje no publico comento:
http://economia.publico.pt/Noticia/petroleo-regressa-acima-dos-100-dolar...
Bem-vindos ao pico do petróleo. A partir de agora a procura crescente será maior do que a produção decrescente.
A energia necessária para extrair e usar um barril de petróleo passa a ser maior do que a energia que dele se obtém.
Em termos económicos o preço do petróleo não parará de crescer. Nunca terminará o petróleo mas o seu preço ficará tão alto que as classes pobres e médias deixarão de poder usar a gasolina e o gasóleo.
A inflação será generalizada pois quase todo o comércio está baseado na troca a longa distância com elevados custos de transporte.
Uma crise económica gerada pelo pico do petróleo mostra-nos que vivemos num sistema económico fechado, a Terra, e que a nossa economia depende sempre dos recursos naturais que são a base de qualquer sistema ecológico, social e económico.
Bem-vindos ao pico do petróleo. Passar a depender menos do petróleo parece a única solução.
André Vizinho
Originalmente publicado em http://ingenea.gualter.net
O encerramento das centrais nucleares ainda existentes em Espanha e mesmo em toda a União Europeia é uma prioridade absoluta e de aplicação relativamente simples: a contribuição do nuclear para o mix energético (total e não apenas de electricidade) é pouco significativo; a tecnologia é dispendiosa, só sobrevivendo à custa de subsídios e garantias dos Estados; as reservas de urânio estão a escassear; os riscos de acidentes nas centrais são temerosos; e ninguém sabe o que fazer com os resíduos nucleares que constituem um risco por milhares de anos.
Apesar disso, o debate sobre a energia não deve esgotar-se aí. Não é suficiente substituir as centrais nucleares por centrais a carvão ou a petróleo. Por outro lado, as energias renováveis também não são a bala de prata que vai suprir todas as necessidades energéticas da nossa sociedade, sobretudo se o consumo de energia se mantiver aos níveis actuais ou continuar a crescer.