Nesta semana uma comunidade de 5 milhões de metros quadrados, chamada Pinheirinho, na zona de S. Paulo, esteve em risco de ser despejada. A imagem que nos chega é a dos moradores que em 2004 ocuparam aquele terreno, pertecente à massa falida de uma empresa, hoje armados com o que têm para defender as suas casas.
O modo como a sociedade se organiza e produz os seus próprios meios para viver tem o seu ponto de partida nos recursos naturais (solo, água, mineriais, etc).
A transformação da natureza em mercadoria e a acumulação de riqueza está totalmente relacionada com a uma forma de organização social específica actual: o sistema capitalista.
Após anos de luta da sociedade civil, a Chevron-Texaco é finalmente forçada a compensar o Equador pela dívida ecológica causada no país, conforme noticia a Euronews (http://pt.euronews.net/2012/01/04/chevron-condenada-a-pagar-indemnizacao...)

No dia 1 de Dezembro declaramos a nossa solidariedade com a população de Rosia Montana que há já 10 anos luta por contra o roubo criminal e expropriação. Rosia Montana é uma vila nas montanhas Apuseni na Roménia, sob ameaça de ser destruída em nome do lucro pela Gabriel Resource's, uma empresa de extração mineira de ouro. Caso venha a realizar-se, a exploração da mina proposta irá destruir a aldeia de Rosia Montana e introduzir a tecnologia de lixiviação de cianeto perigoso, ameaçando os sistemas de água da Roménia, com o potencial de acidentes devastadores.

As panteras não comem sozinhas.
Grande parte da acção do 'Black Panther Party for Self-Defense' pode assemelhar-se ao que hoje foi absorvido pelo estado e por ONGs sob a forma de assistencia social. Não é disso que se trata aqui, mas de comunidades que de tão esquecidas se começam a organizar, apesar do estado e contra ele. De tal forma que foram perseguidas por unidades policiais especialmente criadas para o efeito.
Vamos ver, a partir das 19h, alguns videos sobre a acção comunitária das Panteras Negras, porque um prato de comida também pode ser subversivo.
A partir das 16h vamos estar a cozinhar, todas as mãos são bem-vindas.
O que é o Jantar Popular?
- Um Jantar comunitário vegano e livre de transgénicos que se realiza todas as Quintas-feiras no Regueirão dos Anjos nº69;
- Uma iniciativa inteiramente auto-gerida por voluntários do Centro Social do Jantar. Para colaborar, cozinhar, montar a sala basta aparecer a uma Quinta-feira a partir das 16h.
Décroissance: how the French counter capitalism
By Christopher Caldwell
Transcripted, without permission, from The Financial Times

A dimensão da manifestação de Sábado e a diversidade de gente lá presente não permite que dela saia uma só voz, mais, encontra a riqueza na quantidade de vozes dissonantes. Para alimentar a discussão sobre ela, publicamos aqui um texto que nos chegou às mãos.
Não nos Sentamos
Podemos considerar a Manifestação que ocorreu no passado 15 de Outubro um sucesso, um momento de início de diversas lutas e o local onde um amplo movimento composto de muitas perspectivas diferentes conseguiu mostrar a si próprio a força que tem.
O amplo espectro de pessoas e colectivos presentes e as variadas opiniões e perspectivas que neste movimento se encontram, se alimentam e dialogam são o que torna forte este protesto e dinâmico este movimento. Para lá das suas reivindicações, os desenvolvimentos do último ano foram sobretudo um lugar de encontro. Naturalmente este encontro nem sempre é fluido e facilmente nos deixamos levar por questões pouco construtivas, mas aqui estamos para aprender uns com os outros.
Hoje, 16 de Outubro, está agendada nova Assembleia Popular, às 19h, em frente ao Parlamento, em Lisboa. Depois de perto de 100 mil cidadãos terem tomado o destino nas próprias mãos e dado voz ao seu direito de protesto, foi dado seguimento à Assembleia Popular prevista onde a plataforma organizadora da manifestação apresentou a sua proposta conjunta de continuidade.
Junto da Praceta Luis Verney, na Damaia de Cima, um grupo de vizinhos semeou uma horta num terreno abandonado. Estranhamente, a Câmara Municipal da Amadora, depois de ter esquecido durante anos aquele espaço, vem agora afirmar que pretende despejar a horta. Já foi demolida parte de um pavilhão pré-frabricado que havia no terreno e que os hortelões se preparavam para dinamizar.
O vereador do ambiente da CMA, Gabriel Oliveira (gab.ver.goliveira@cm-amadora.pt) afirmou, em declarações ao Público, que "aquilo é um terreno camarário e isto não é o PREC". Aparentemente, este é o autoritarismo que rege as relações da autarquia com os seus cidadãos, mesmo quando estes vêm apenas resolver problemas com que a Câmara obviamente não tem conseguido lidar.
As hortas urbanas fazem parte da história da cidade de Lisboa e das suas periferias. representam, em casos como o dos hortelões da Damaia, uma relação viva com o espaço público, de empenho comunitário, talvez incomprensivel para quem 'espaços verdes' sejam rotundas relvadas.